
Assessoria de imprensa para pequenos negócios: custo ou investimento?
Julia Fonseca
Quando um empreendedor coloca no papel os custos do mês, a comunicação costuma ser uma das primeiras linhas cortadas. A percepção é comum: assessoria de imprensa seria coisa de grande empresa, um luxo distante da realidade de quem toca um negócio enxuto. Essa leitura, porém, começa a ser desafiada por profissionais que enxergam a comunicação como parte da engrenagem de crescimento, e não como despesa acessória. A trajetória de Giovanna Velloso, jornalista que fundou a Velloso Press & Co. em fevereiro de 2025, ajuda a ilustrar como a assessoria de imprensa para pequenos negócios pode ser tratada como investimento em reputação.
Neste artigo, o objetivo não é dizer a você o que contratar, mas ajudá-lo a entender o mecanismo por trás dessa decisão: como a comunicação estratégica se conecta à construção de autoridade, por que ela é frequentemente confundida com custo, e como enquadrar esse tipo de despesa dentro de um raciocínio financeiro estruturado.
Por que a assessoria de imprensa é vista como custo
Segundo a reportagem da PEGN, a proposta da Velloso Press & Co. nasceu da percepção de que muitos empreendedores ainda enxergam a assessoria de imprensa apenas como um custo, sem compreender o impacto que uma estratégia de comunicação bem estruturada pode gerar na consolidação da marca e na abertura de novas oportunidades de negócios.
Essa confusão entre custo e investimento é um clássico da gestão financeira. Um custo, na leitura contábil simplificada, é um sacrifício de caixa que se esgota no momento em que acontece. Já um investimento é um desembolso feito hoje na expectativa de gerar retorno adiante, seja em receita, seja em ativos intangíveis como reputação e autoridade. A diferença não está na nota fiscal, e sim na intenção estratégica e na capacidade de mensurar resultado ao longo do tempo.
Como afirma Giovanna na reportagem, "a imprensa não serve apenas para quem já é grande. Ela também pode acelerar o crescimento de pequenas empresas quando existe uma estratégia por trás da comunicação". A palavra-chave aqui é estratégia: sem um plano por trás, qualquer desembolso vira custo puro, porque não há como conectar o gasto a um objetivo.
Assessoria de imprensa para pequenos negócios como ativo intangível
Reputação, autoridade e visibilidade não aparecem no balanço patrimonial da maioria das pequenas empresas, mas são ativos reais. A materia da PEGN descreve que o trabalho da assessoria tem como foco transformar histórias reais em conteúdo relevante para a imprensa, fortalecendo a autoridade e a visibilidade dos clientes, conquistando espaço em portais de notícias, revistas, emissoras de rádio, podcasts e programas de televisão.
Para pensar como gestor, vale enquadrar esse tipo de contratação com as mesmas perguntas que você faria a qualquer investimento:
- Qual problema esse desembolso resolve? Falta de visibilidade, dificuldade de gerar confiança, ausência de posicionamento.
- Qual o horizonte de retorno? Construção de reputação raramente é imediata; é acúmulo.
- Como medir? Menções na imprensa, procura de novos clientes, percepção de marca.
- Cabe no orçamento sem comprometer o capital de giro?
Esse último ponto é decisivo. Nenhuma iniciativa de comunicação justifica sufocar o caixa operacional. É aqui que entra a disciplina de planejamento financeiro pessoal e empresarial: definir quanto do faturamento pode ser direcionado a construção de marca sem colocar em risco as obrigações do dia a dia.
O cenário econômico em que essa decisão acontece
Toda decisão de investir em crescimento acontece dentro de um pano de fundo macroeconômico, e ignorá-lo é um erro comum de quem só olha para dentro da empresa. Alguns dados oficiais ajudam a dimensionar o ambiente.
O crescimento do PIB do Brasil, na observação de 01/01/2025 divulgada pelo World Bank, foi de 2,29%. Já a inflação medida pelo IPCA acumulado em 12 meses, na observação de 01/06/2026, estava em 4,64% ao ano. Esses dois números, lidos em conjunto, contam parte da história: uma economia que cresce em ritmo moderado e uma inflação que continua corroendo o poder de compra e pressionando custos.
Para o pequeno empreendedor, isso significa que cada real gasto precisa ser mais bem justificado. Em ambiente de custos pressionados, a tentação de cortar tudo que não é essencial é grande. O contraponto é que reputação construída em momentos difíceis tende a se pagar quando o ciclo melhora. A leitura desses indicadores não é uma recomendação de gasto, e sim um convite a pensar: o que da sua estrutura de comunicação é custo dispensável e o que é investimento de longo prazo?
Empreender exige mais do que a competência técnica
Um ponto valioso da reportagem é o reconhecimento de que administrar o negócio exigiu novos aprendizados além do jornalismo. Para Giovanna, empreender significou desenvolver habilidades em gestão, negociação e relacionamento. Nas palavras dela, "empreender exige muito mais do que conhecimento técnico. É preciso aprender sobre gestão, vendas, negociação e, principalmente, construir confiança todos os dias".
Esse trecho resume um dilema que atinge quase todo pequeno negócio nascido de uma especialidade técnica. O dono é excelente no ofício, seja jornalismo, gastronomia, tecnologia ou saúde, mas a sobrevivência da empresa depende de competências de gestão que raramente vieram na bagagem original. Comunicação, precificação, controle de fluxo de caixa e negociação passam a ser tão determinantes quanto a qualidade do produto.
É por isso que tratar a comunicação como parte do plano de negócios, e não como enfeite, faz diferença. A materia aponta que a comunicação pode se tornar um importante diferencial competitivo para empresas de todos os portes. Diferencial competitivo é linguagem de estratégia, não de despesa.
Como enquadrar o gasto sem romantizar
O risco do discurso de "comunicação é investimento" é virar justificativa para gastar sem critério. Investimento sem método também vira prejuízo. Alguns princípios de gestão ajudam a manter o pé no chão:
- Defina um orçamento de comunicação como percentual do faturamento, revisado periodicamente.
- Estabeleça objetivos mensuráveis antes de contratar qualquer serviço.
- Mantenha uma reserva operacional que não seja tocada por iniciativas de marketing.
- Reavalie o retorno com a mesma frieza com que avaliaria a compra de um equipamento.
Para aprofundar esse tipo de raciocínio, vale explorar conteúdos de educação financeira voltados a quem gere um negócio, e considerar apoio especializado por meio de consultoria empresarial Dotless quando a decisão envolver reorganizar a estrutura de custos.
No fim, a pergunta central não é se comunicação vale a pena, mas se a sua empresa tem clareza suficiente sobre objetivos, orçamento e mensuração para transformar um desembolso em ativo. Custo e investimento, afinal, muitas vezes se distinguem apenas pela estratégia que existe, ou não existe, por trás deles.