Ilustração sobre eleições 2026 e empreendedorismo com esferas de governo e impacto nas empresas

Eleições 2026 e empreendedorismo: quem decide o que afeta a sua empresa

Julia Fonseca

As eleições 2026 e o empreendedorismo estão mais conectados do que a maioria dos donos de negócio costuma imaginar. Em 2026, segundo a revista PEGN, os eleitores vão registrar votos para presidente, dois senadores, governador e deputados federal e estadual. São seis escolhas que, na prática, redesenham as engrenagens que regulam a vida econômica do país e, com ela, o custo de tocar uma pequena ou média empresa.

O objetivo aqui não é dizer em quem votar, e sim ajudar você a pensar: quando o alvará demora, quando o imposto sobe ou quando o crédito seca, a quem recorrer? Entender qual cargo responde por cada tema é o primeiro passo para cobrar da pessoa certa e não desperdiçar energia frustrando-se com o endereço errado.

Eleições 2026 e empreendedorismo: quem cuida do quê

O ponto de partida da reportagem da PEGN é simples: nenhum posto manda em tudo. As atribuições mudam conforme a esfera de governo. Em linhas gerais, a esfera federal cuida do que é nacional, como política econômica, impostos como o IPI (produtos industrializados) e regras trabalhistas. O estado responde por ICMS (circulação de mercadorias e serviços), Junta Comercial e políticas de desenvolvimento local. Já o município cuida de alvará, ISS (serviços), iluminação pública e transporte público.

A lógica dos poderes também importa. Como resume a professora Maria Lúcia Moritz, da UFRGS, o Legislativo formula leis e o Executivo executa, com algumas exceções em que o governante pode agir por decreto. Isso significa que, se o problema nasce de uma decisão do governador, a pressão vai para a Assembleia Legislativa; se é federal, para o Congresso. Como observa o cientista político Paulo Ramirez, da ESPM, para um projeto ser aprovado é preciso passar por consensos. A pergunta mais útil, portanto, não é "você vai fazer isso?", mas "quem mais precisa aprovar para isso acontecer?".

Para quem quer estruturar melhor a leitura desse ambiente, vale combinar esse mapa institucional com uma rotina de Consultoria empresarial Dotless que traduza cenário macro em decisões de gestão.

Por que cobrar o cargo certo evita frustração

A professora Claudia Regina Rosal Carvalho, da UFG, alerta que cobrar o cargo errado gera frustração. Um exemplo citado na reportagem: não cabe ao presidente mexer sozinho na taxa de juros, que é decisão do Banco Central. O chefe do Executivo indica o presidente do BC, mas o Senado precisa aprovar a escolha. Ou seja, o custo do crédito não depende apenas do Planalto.

Juros, crédito e impostos: o que muda o custo do negócio

Os temas que mais aparecem na planilha de uma PME (juros, carga tributária e crédito) têm origem distribuída. A taxa básica de juros é definida pelo Banco Central. Na observação de 05/08/2026, a taxa Selic estava em 14,25% ao ano, segundo a série 432 do BCB. Esse patamar é a referência que se propaga por linhas de crédito e aplicações, e ajuda a explicar por que o custo de capital pesa tanto no caixa das empresas menores.

A inflação é o outro lado da mesma equação. Na leitura de 01/06/2026, último dado disponível, o IPCA acumulado em 12 meses estava em 4,64%, conforme a série 13522 do BCB. Acompanhar juros e preços ao mesmo tempo é parte de qualquer trabalho sério de Educação financeira: são variáveis que definem margem, precificação e capacidade de investir.

No campo tributário, a reportagem detalha que tributos federais, como IPI, IOF, PIS, Cofins e contribuições previdenciárias, são propostos pelo Executivo federal e aprovados pelos parlamentares. Mudanças estruturais, como reformas tributárias, passam pela Câmara e pelo Senado e precisam da sanção presidencial. O deputado federal tem peso decisivo: é nas comissões internas da Casa que muitos projetos são reescritos, acelerados ou engavetados. Nos estados, definem-se benefícios fiscais, regimes de substituição tributária e alíquotas que pesam no custo de circulação de mercadorias.

Crédito para micro e pequenas empresas

Mecanismos de fomento como linhas de crédito subsidiado, a exemplo das do BNDES, e fundos de garantia dependem de decisões do Executivo federal, mas precisam de orçamento aprovado pela Câmara e pelo Senado. Segundo a reportagem, os parlamentares federais podem criar ou aperfeiçoar instrumentos de apoio a micro e pequenas empresas, e Paulo Ramirez avalia que a captação de crédito poderia ser facilitada por leis mais favoráveis ao pequeno e médio empresário. Para regiões com menor acesso ao sistema financeiro tradicional, agências de fomento e fundos regionais podem ser decisivos.

Infraestrutura, burocracia e o dia a dia da empresa

Infraestrutura e segurança pública não são temas abstratos: estrada ruim encarece frete e maior criminalidade aumenta o custo do seguro e reduz o fluxo de clientes. A infraestrutura se divide entre os três níveis de governo, cabendo à União rodovias, portos e aeroportos federais; aos estados, rodovias estaduais, metrô e trens; e aos municípios, ruas, avenidas e ônibus locais. A segurança pública é, em grande medida, tarefa dos estados, já que o governador comanda as polícias militar e civil.

A burocracia de abrir empresa, obter licenças e renovar alvarás também tem origem em várias esferas. A simplificação federal, como integração cadastral e digitalização de certidões, depende do Executivo federal e, quando envolve mudança de lei, do Congresso. Na esfera estadual, a Junta Comercial e a inscrição estadual passam pelo governador e pelos deputados. Organizar internamente esses processos é parte do Planejamento financeiro pessoal e empresarial que sustenta o crescimento.

Como cobrar e participar depois da eleição

Votar é só o começo. A reportagem lembra que existem canais para acompanhar votações e propostas: a Câmara dos Deputados tem o portal e-Democracia, o Senado tem o e-Cidadania e o Portal da Transparência reúne dados do governo federal. Maria Lúcia Moritz sugere que o número de projetos de um parlamentar não é bom indicador; melhor observar como a pessoa se posicionou em votações cruciais, como a reforma tributária.

Ao cobrar, vale precisão: apontar o problema com dados, identificar o cargo responsável e perguntar qual é o instrumento (projeto de lei, emenda, decreto, programa ou contrato). Um alerta final da reportagem: dentro da empresa, a lei proíbe qualquer forma de coação, ameaça, promessa de vantagem ou punição relacionada à escolha eleitoral dos colaboradores, sob pena de multa e reclusão. Ter opinião é direito de todos; usar a hierarquia como megafone, não.